Linguagem Corporal e Micro-Expressões

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A linguagem corporal estuda os  movimentos do corpo, as micro-expressões faciais, os gestos e a postura dos seres humanos inseridos em diferentes ambientes e meios sociais. Relatada até mesmo por Darwin, foi aperfeiçoada pelos estudos do pioneiro Paul Ekman, ao viajar pelo mundo coletando dados sobre emoções básicas e expressões faciais, formando, na época, a ideia de que as expressões seriam inatas em todos os seres humanos. Esta teoria é debatida e parece perder forças com novos estudos modernos. Independente da veracidade da teoria, sabemos que no mundo ocidental atual todos os elementos estudados pela linguagem corporal em psicologia e neurociência apontam para uma direção: a linguagem corporal pode ser usada para prever comportamentos e traçar emoções.

Excluindo mitos criados pela Programação Neurolinguística, fisiognomia e similares, sabe-se cientificamente que expressões físicas e verbais são a representação da abstração mental. Esta abstração não existiria se não fosse a estrutura cerebral e seus componentes anatômicos. O estudo da linguagem corporal é, portanto, uma análise empírica do comportamento humano. É behaviorista e positivista, mesmo havendo uma pequena camada de intuição (ou método de abdução). Contudo, um observador ao tentar identificar uma mentira por exemplo, não pode, com base apenas na observação, declarar que um indivíduo está mentindo, ou declarar com precisão que está pensando isto ou aquilo. Veremos o exemplo abaixo de como o sistema nervoso pode atuar em alguém que teme ser descoberto durante a mentira:

Um mentiroso ao temer ser descoberto terá seu sistema nervoso autônomo ativado, especificamente o subsistema conhecido como simpático, que aprontará o corpo para fuga/combate: liberação do hormônio adrenalina pelo sistema endócrino, respiração e batimentos cardíacos acelerados, contração muscular, alteração da voz, sudorese… Na face de alguém demonstrando a emoção de medo, veremos olhos bem abertos, sobrancelhas levantadas, narinas dilatadas, boca aberta ou entre-aberta, com leve depressão labial. Movimentos agitados em braços ou pernas, balanço ou tensão.

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As funções do sistema nervoso geram representações físicas observáveis

As emoções são organizadas pelo conjunto de estruturas cerebrais chamadas de sistema límbico, o administrador do sistema nervoso autônomo. Um estímulo externo, portanto aferente, é percebido pelo sistema nervoso periférico, que leva este estímulo ao sistema nervoso central, gerando uma resposta eferente. Ao perceber um predador, o corpo entra em estado de alerta/luta/fuga. Ao estar distante do perigo, entra em estado de relaxamento. Estas funções involuntárias de ansiedade ou medo tornaram-se possíveis graças à evolução, onde o ser humano precisou se adaptar aos estímulos externos, como os predadores.

A linguagem corporal não se trata apenas de emoções e gestos involuntários, pois o sistema autônomo apenas prepara o corpo para uma ação, mas é o sistema somático que voluntariamente aciona os movimentos corporais. Portanto, uma emoção pode ser fingida, vezes com perfeição por bons atores, e vezes que não, por péssimos mentirosos ou pessoas previsíveis. Todos os especialistas em linguagem corporal atuam com bases pré estabelecidas: conhecer características do sujeito, sua verbalização, sua postura, e então fazer a análise, geralmente por vídeos assistidos diversas vezes, quando o objetivo é fazer uma análise completa. Movimentos do eixo do corpo, dos membros apendiculares, da cabeça, as expressões faciais, a entonação da voz, escolha e timing de palavras, tudo é analisado.

Um sinal nunca deve ser destacado individualmente. Deve-se observar todos os sinais em conjunto, englobando todo o contexto em que a pessoa se encontra inserida. A ativação de músculos faciais específicos, os gestos e a postura de alguém formam percepções inconscientes em nossas mentes, onde decidimos se gostamos desta pessoa, listamos suas características exacerbadas, etc. Este processo mental molda os contratos sociais que firmamos, sendo extremamente útil diariamente. Mas aprofundando o assunto e o dissecando, descobre-se que o estudo da linguagem corporal ultrapassa a percepção comum e atinge o nível de ciência. Nos vídeos abaixo, você aprenderá com o especialista Anderson Tamborim algumas técnicas de análise corporal, como o duping delight, o shrug, e o eye shielding.

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Emoções ativam determinados músculos faciais

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