Livro: Tudo é Óbvio* Desde Que Você Saiba a Resposta

  • Tudo é óbvio * Desde que você saiba a resposta (Como o senso comum nos engana)
  • Duncan J. Watts
  • Editora Paz e Terra
  • Ano 2011
  • 326 páginas

Resumo

Através de pesquisas psicológicas e sociais, políticas e econômicas, o livro convida o leitor a rever seus pensamentos automáticos adquiridos durante o cotidiano. O “óbvio” como conhecemos é desestruturado de modo que possa ser analisado minuciosamente, demonstrando que fatos aparentemente evidentes não se aplicam em muitas das situações que caracterizamos como óbvias.

sensocomum

Pesquisas sociais

Algo apenas é óbvio, evidente, claro, explícito, quando tanto o comunicador quanto o ouvinte possuem o mesmo grau cognitivo, as mesmas ou semelhantes experiências e as mesmas informações. O óbvio em realidade não existe, sendo apenas uma percepção subjetiva. Neste livro muitos trechos obtiveram maior atenção de minha parte. Por exemplo, Duncan Watts cita uma pesquisa do sociólogo Paul Lazarsfeld, que questiona “Qual grupo se adapta melhor à vida militar: Homens de origem rural ou de origem urbana?”

A resposta apresentada é óbvia: De origem rural, pois estão mais acostumados à vida pesada e trabalho físico que homens urbanos. Porém a conclusão apresentada estava errada propositalmente para checagem da reação do público escolhido, sendo a resposta contrária a correta, onde os homens de origem urbana se adaptavam melhor à vida militar. Se obtivéssemos esta resposta logo de primeira, concluiríamos que os homens urbanos se saem melhor pois estão acostumados com hierarquia de comando, padrões rígidos de vestimenta, etiqueta social e etc.

Esta pesquisa demonstra o quanto somos propensos a acreditar que já obtemos explicações para acontecimentos aparentemente simples. Quando você recebe uma charada por exemplo, e não descobre a resposta, quando o comunicador então lhe responde, você diz “é óbvio! Como não pensei nisso?!” Referenciando o subtítulo do livro, é fácil dizer que algo é óbvio quando você já tem a resposta, semelhantemente à história do “ovo de Colombo”.

 Senso comum

Duncan explica que nossas opiniões sobre “a reforma no sistema de saúde pública, lucros dos banqueiros e conflitos entre Israel e Palestina” não passam de senso comum, pois “podemos virar as páginas do jornal enquanto tomamos café da manhã e desenvolvermos vinte diferentes opiniões sobre vinte diferentes tópicos sem esforço. É apenas senso comum”…

“Podem não importar muito as conclusões que os cidadãos comuns chegam sobre o estado do mundo na privacidade de suas casas, baseados no que eles leem em jornal ou discutem com os amigos. Portanto, não importa muito que a maneira como racionalizamos sobre os problemas do mundo seja pouco adequada à natureza dos próprios problemas”.

Isto reflete a minha opinião de que é inútil discutirmos assuntos sem resultados práticos para nós cidadãos comuns. Isto não quer dizer que não podemos manter um pensamento crítico sobre estes temas, o que quero dizer é que muitos assuntos são debatidos de modo superficial por pseudo-cultos, ou seja lá qual for o termo para classificar este tipo de pessoa. O debate ou discussão por si só é inútil, pois o debate ou discussão necessitam de resultados práticos, e um cidadão que não convive diretamente com o assunto pouco pode racionalizar a respeito.

Para Duncan, “o senso comum nos dá explicações prontas para as circunstâncias que o mundo apresenta, nos dando confiança no dia a dia”… “O problema é que pensamos compreender a verdade, quando a estamos ocultando com uma história aparentemente plausível, inibindo nossa compreensão do mundo”.

Associei os ensinamentos do livro com dois pensamentos, a “facilidade cognitiva” do psicólogo Daniel Kahneman e o “hábito mental” do filósofo David Hume. Segundo Kahneman, a facilidade cognitiva é um estado mental intuitivo e relaxado ocorrido durante eventos simples do dia a dia que experimentamos tantas vezes que nosso cérebro entra em estado automático. Eventos aparentemente fáceis quando respondidos durante este estado mental podem gerar equívocos.

O hábito mental de Hume também se define pelas experiências, onde somos induzidos por fatores repetitivos a ter um determinado comportamento ou pensamento, como “o sol vai nascer amanhã” ou “a bola atingirá o chão quando eu a soltar”. Eventos naturalmente comuns mas que não podem ser comprovados até que o sol nasça ou a bola atinja o chão. Mas sabemos que estes dois eventos futuros tem uma enorme possibilidade de ocorrerem. Estas induções tornam, por natureza, nossa mente condicionada ao hábito, e isto leva ao erro se não bem administrado.

Por Fim

A abordagem do livro me interessa por desconstruir o conceito de óbvio e onde este se aplica. Encontrei este livro não por acaso, mas sim ao pesquisar na internet algum artigo relacionado ao “óbvio”, após escutar frequentemente esta palavra utilizada fora do contexto. O “óbvio” que escutei diversas vezes provinha de pessoas que excluíam variáveis de uma questão não por inteligência mas sim pela falta dela, onde a mente não percebia as diferentes probabilidades para a questão.

Assim como muitas pessoas respondem “lógico que sim” ou “lógico que não” em situações onde a lógica não se aplica. Me incomodou a ponto de procurar um livro sobre o óbvio e o senso comum para fortalecer meus argumentos. Mas nem tudo no livro me agrada. Questões políticas e econômicas se alastram por muitas páginas com exemplos sobre empresas e organizações. Isto é uma característica minha onde tais assuntos não agradam, mas para muitos outros leitores acredito que a leitura completa seja útil.

Appel

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s