Tanatologia Forense, Medicina Legal e Toxicologia

aula
Aula de morfofisiologia do curso de Psicologia em 2015

Tanatologia é a área que busca diagnosticar o óbito através dos sinais físicos e químicos do cadáver, compreendendo todos os processos fisiológicos ocorridos entre a vida e a morte. Na área forense, investiga a causa mortis em caráter jurídico, como será visto a seguir. Aqui temos de modo rápido e objetivo, fenômenos cadavéricos externos e macroscópicos ocorridos dentro de aproximadamente 72 horas, podendo ser identificados a olho nu, sem auxílio de equipamentos muito sofisticados. Os efeitos corporais após este período serão mencionados com menor ênfase. Tópicos sobre Balística  e Toxicologia com descrição de substâncias, drogas e plantas complementam este texto.

Cautela: Neste artigo se encontram imagens de sinais post mortem e traumatologia forense. As fotografias retiradas de sites de universidades de medicina servem para identificar esses fenômenos e compreender as reações corporais, para diferenciar elementos de morte natural e não natural.

Appel

1.algor, livor e rigor
Três fenômenos cadavéricos visíveis mais importantes: Algor, Livor e Rigor. Empalidecimento ocorre cerca de 20 min após o óbito.
2.calendario da morte
Fatores sincrônicos percebíveis de modo tateável e visível.

3.lesoes

Hemorragias: Equimoses, hematomas, hemorragias internas e externas só ocorrem quando a pessoa está viva. Coagulação sanguínea: logo após a morte o sangue pode coagular dentro dos vasos, mas após seis horas do óbito, devido a degradação dos fatores de coagulação, o sangue não coagula mais fora dos vasos (Portal Educação/Vanrell 2007).

4.lesoes de homicidio
Lesões, marcas e manchas externas em caráter jurídico.
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Lesões, marcas e manchas.
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Evolução equimótica de Legrand Du Saulle
5.asfixia
Sinais externos de asfixia mecânica.
6.afogamento
Sinais externos de afogamento.
7.choque
Choque elétrico.
8.objetos
Ação Perfurante e Ação Cortante.
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Ação Perfurocortante e Ação Perfurocontundente.

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Entomologia.
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Legião de fauna cadavérica de acordo com calendário da morte.
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Ciclo larval de mosca.
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Desenvolvimento larval da mosca.
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Manchas de Hipóstase durante Livor Mortis surgem na região de decúbito do corpo, com ausência em local de pressão.
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Equimose (pode ser ocasionada por pancada, e quando encontradas em pele conjuntiva rostral como lado interno das pálpebras ou lábios, pode indicar asfixia) e Petéquias (quando localizadas na face, interno das pálpebras ou globo ocular, pode indicar asfixia, junto com possível máscara cianótica).
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Mancha de Tardieu são pontilhados de petéquias no coração ou pulmão, indicando asfixia.
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Rubefação, o trauma mais simples.
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Bossa sanguínea, conhecida popularmente como “galo”.
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Escoriação, ocorrido por atrito em superfície ou objeto.
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Cogumelo de espuma pode indicar afogamento (em vida durante submersão aquática) ou asfixia mecânica.
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Fratura do osso hióide e de seus entornos pode indicar asfixia mecânica, esganadura ou enforcamento.
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Sinal de Sommer Larcher ocorre somente com pálpebras abertas, durante a desidratação do globo ocular ao perder umidade. Não ocorre em ambiente líquido.
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Circulação Póstuma de Brouardel ocorre na putrefação.
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Mancha verde abdominal e flictenas putrefativas (manchas volumosas negras).
choque
Eletrocussão.

TRAUMATOLOGIA EM BALÍSTICA

Um projétil de arma de fogo se caracteriza em traumatologia como objeto perfuro contundente. O projétil quando disparado apresenta ranhuras pela pressão interna sofrida, auxiliando a perícia científica durante o confronto micro e macro balístico. Vestígios de gases químicos e materiais sólidos também auxiliam na identificação indireta do atirador. Em maior número as armas apresentam cano raiado, onde estrias internas estabilizam o projétil de modo giratório durante o disparo. A depender do calibre, distância, tipo do projétil e parte do corpo, a malha tecidual da vítima rompe-se de modos distintos.

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Elementos observados em orifício de entrada de projétil com disparo à curta distância.

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Orifício de entrada óssea de acordo com o diâmetro do projétil; Orifício de saída maior que o projétil. Os orifícios em conjunto dão impressão de funil.
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Câmara de mina de Hoffmann forma-se com tiro encostado em região óssea.
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Sinal de Benassi consiste em um orifício de entrada manchado com aspecto fuliginoso em tiro encostado.
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De acordo com última atualização
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Níveis de projéteis de acordo com coletes
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PDF´s PARA DOWNLOAD:

A partir do conteúdo destes últimos PDF’s será possível distinguir técnicas de sutura apenas através da observação. Você saberá diferenciar uma sutura de Cushing de uma sutura de Lembert. Verá que pontos contínuos podem não ser tão seguros quanto pontos separados. Saberá a tipologia de fios orgânicos e não orgânicos, absorvíveis ou não absorvíveis pela epiderme. Conhecerá desde os mais simples aos mais complexos instrumentos cirúrgicos. Tais instrumentos embora muito semelhantes entre si, contém detalhes que os diferenciam e configuram sua função. Apenas uma mente treinada, como a de um profissional da área, saberá nomeá-los automaticamente. Por ser um material extenso, a identificação deste conteúdo dependerá da memória e nível de interesse do leitor.

www.ufrgs.br – cirurgia veterinária

www.ufrgs.br – tecnica cirurgica

“Partes salientes do veículo podem imprimir lesões particulares nas vítimas, como a marca da estrela de um Mercedez Benz ou queimaduras pelas grades do radiador e lacerações por para-choques… O atropelamento típico completo é composto por 4 fases: Colisão, queda, esmagamento e arrastamento… Fraturas logo acima do tornozelo indicam travagem (uso do freio), pois durante a travagem a frente do veículo tende a aproximar-se do solo… O impacto onde a vítima atinge o capô ou para brisa frontal é chamado de impacto secundário (o primeiro é a colisão direta do veículo com a vítima), ocorrendo em velocidades acima de 20 km/h.”

SITE INDICADO: www.malthus.com.br

Toxicologia

Sintomas comuns de envenenamento

  • Vômito
  • Deficiência Respiratória
  • Palidez
  • Estado de Choque
  • Febre
  • Unhas e Lábios Arroxeados
  • Queimaduras Bucais
  • Semiconsciência
  • Suor Excessivo
  • Edema
  • Inflamação
  • Náusea
  • Diarreia Com ou Sem Sangue
  • Salivação
  • Convulsão
  • Tremor
  • Hemorragia Oral/Nasal
  • Bolhas
  • Ardência
  • Paralisia
  • Musculatura Dormente

Substâncias nocivas encontradas em residências

Álcool, acetona, perfumes, inseticida, naftalina, querosene, soda cáustica, água sanitária e demais produtos de limpeza.

Substâncias mais letais:

8. CIANURETO

  • Origem – Vegetais, como a mandioca, ou sintetizado em laboratório
  • Forma de contaminação – Ingestão ou inalação
  • Dose letal* – 5 miligrama/kg
  • Antídoto – Nitrito de sódio

Também chamado de cianeto, esse composto existe na forma de gás ou de pó. Ele destrói as células do sangue, causa parada respiratória e debilita o sistema nervoso central. Após a derrota alemã na Segunda Guerra, muitos oficiais nazistas se mataram engolindo uma cápsula de cianureto

7. ESTRICNINA

  • Origem -Planta Strychnos nux vomica
  • Forma de contaminação – Ingestão, inalação ou contato com a pele
  • Dose letal* – 2,3 miligrama/kg
  • Antídoto – Não tem. Diazepan intravenoso ameniza os sintomas

Sintetizada no início do século 19, a estricnina é um pó usado como pesticida para matar ratos. O envenenamento gera convulsões, espasmos musculares e morte por asfixia. Apesar disso, no passado já foi usada como anabolizante, para aumentar as contrações musculares de atletas!

6. SARIN

  • Origem -Sintetizado em laboratório
  • Forma de contaminação – Inalação
  • Dose letal* – 0,5 miligrama/kg
  • Antídoto – O remédio atropina

Criado pelos nazistas em 1939, o gás sarin é uma das armas químicas mais poderosas que existem. Em contato com o organismo, o veneno debilita os músculos, causando parada cardíaca e respiratória. Foi esse o gás usado num atentado ao metrô de Tóquio em 1995, que matou 12 pessoas e feriu outras 5 mil

5. RICINA

  • Origem -Mamona (Ricinus communis)
  • Forma de contaminação – Ingestão ou inalação da substância
  • Dose letal* – 22 microgramas/kg
  • Antídoto – Não tem

Considerada o mais letal veneno de origem vegetal, a ricina é uma proteína isolada das sementes da mamona. O envenenamento provoca dor de estômago, diarreia e vômito com sangue. Uma semente de mamona tem ricina suficiente para matar uma criança. De tão letal, é usada até em ataques bioterroristas

4. TOXINA DIFTÉRICA

  • Origem -Bacilo Corynebacterium diphtheriae
  • Forma de contaminação – Gotículas de saliva da fala ou espirro de pessoas contaminadas
  • Dose letal* – 100 nanogramas/kg
  • Antídoto – Soro antidfitérico

O sujeito que se contamina com essa toxina pena um bocado com uma doença infecciosa aguda, a difteria, que atinge órgãos vitais, como coração, fígado e rins. Há vacina contra difteria, mas a taxa de letalidade ainda é bastante alta, beirando os 20%

3. SHIGA-TOXINA

  • Origem -Bactérias dos gêneros Shigella e Escherichia
  • Forma de contaminação – Ingestão de bebidas ou alimentos contaminados
  • Dose letal* – 1 nanograma/kg
  • Antídoto – Não tem. Tratam-se os sintomas até o veneno ser expelido pelo corpo

A intoxicação causa uma diarreia tão forte que pode levar à morte. O veneno destrói a mucosa do intestino, causando hemorragia e impedindo a absorção de água. A pessoa fica desidratada e faz cocô com sangue. Se não for tratada, mata 10% dos afetados

2. TOXINA TETÂNICA

  • Origem – Bactéria Clostridium tetani
  • Forma de contaminação – Contato dos esporos da bactéria com ferimentos na pele
  • Dose letal* – 1 nanograma/kg
  • Antídoto – Soro antitetânico

Essa é a toxina causadora do tétano, doença que ataca o sistema nervoso provocando espasmos musculares, dificuldade de deglutição, rigidez muscular do abdome e taquicardia. Estima-se que 300 mil pessoas se contaminem com o veneno por ano no mundo – desse total, metade morre!

1. TOXINA BOTULÍNICA

  • Origem – Bactéria Clostridium botulinum
  • Forma de contaminação – Inalação ou ingestão de água ou alimentos contaminados
  • Dose letal* – 0,4 nanograma/kg
  • Antídoto – Antitoxina trivalente equina

Dez mil vezes mais potente do que os venenos de cobra, essa toxina age sobre o sistema neurológico, causando paralisia dos músculos respiratórios e morte. Curiosamente, em pequenas doses, essa substância é usada em tratamentos estéticos para amenizar rugas – é o famoso Botox

Consultoria – Cyro Hauaji Zacarias, biomédico, consultor em toxicologia e mestrando da Universidade de São Paulo (USP)

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 Classificação clínica das drogas psicotrópicas

1) psicolepticas (depressoras)

a)- hipnoticas (soniferas);
b)- ansioliticas (ansiedade);
c)- neurolepticas (tranquilizantes).
Sao representantes: – alcool; – benzodiazepinicos; – barbituricos ; – solventes /
inalantes ; – opiaceos;

2) psicoanalepticas (estimulantes ou antidepressores)

Representados por: – cocaina, anfetaminicos, nicotina, cafeina;

3) psicodislepticos / psicomimeticos / psicodelicos / alucinogenos

Constituidos por: – derivados da cannabis; – derivados indolicos (plantas e
cogumelos); – sinteticos (LSD, ecstasy); – anticolinergicos.

Principais drogas

1) Cannabis

a) Substancia ativa – TetraHidroCanabiol ( THC ), extraido da folha da planta
Cannabis sativa. Originaria da Asia Central. Seu uso data de 2.300 anos aC.

b) Sinonimia – maconha, haxixe, marijuana, diamba, erva maldita, birra, fumo
de Angola, etc.

c) Administracao habitual – fumar, ingerir.

d) Efeitos:

  • excitacao, seguida de relaxamento; euforia
  • desorientacao no tempo/ espaco;
  • logorreia;
  • hiperfagia;
  • alucinacoes; midriase;
  • DNV (palidez, taquicardia, hiperemia conjuntival, boca seca).

2) Alucinógenos

a) LSD (Dietilamida do Ac. Lisergico, derivado da ergotamina do centeio,
sintetizada no Lab. SANDOZ, em 1938 ) – mescalina (alcaloide extraido do cacto peyote)
– cogumelo.

b) Administracao habitual – ingestao, infusao, via endovenosa.

c) Efeitos:

  • similares aos da cannabis;
  • alucinacoes e delirios mais intensos;
  • manifestacoes hepatorrenais (ictericia, hematuria, oliguria);
  • interferencia na acao da serotonina.

3) Anfetaminas

a) Moderex- hipofagin, inibex, desobesi, reactivan, pervertin, preludin, ecstasy –
“bolinhas”(drogas produzidas em laboratorio).
b) Administracao habitual – ingestao.
c) Efeitos:

  • excitacao, euforia;
  • diminuicao do cansaco;
  • insonia;
  • irritabilidade;
  • midriase;
  • perda do apetite;
  • DNV;
  • convulsoes.

4) Cocaína

a) Substancia ativa – alcaloide extraido das folhas da coca, arbusto sulamericano.

b) Sinonimia – po, brilho, crack, merla.

c) Administracao habitual – aspiracao, friccao, injecao.

d) Efeitos:

  • similares aos das anfetaminas;
  • quadros psicoticos;
  • insuficiencia cardiaca, AVC, IAM;
  • Coma e morte.

5) Anticolinérgicos

a) Substancia ativa – atropina, ciclopentolato, etc.

b) Sinonimia – saia branca, veu de noiva, trombeteira, cha de lirio.

c) Administracao habitual – ingestao.

d) Efeitos:

  • cicloplegia (midriase );
  • boca seca;
  • retencao urinaria e fecal;
  • hipotensao;
  • convulsoes;
  • delirio.

6) Opiáceos

a) Substancia ativa – opio (extraido da papoula), Papaver somniferum e
derivados (heroina, morfina, meperidina, dolantina, demerol, codeina).
Consumidos ha cerca de 5.000 anos, no Mediterraneo, no Oriente Medio e
na Asia.

b) Administracao habitual – ingestao, injecao.

c) Efeitos:

  • sensacao de orgasmo, seguida de estupor e sonolencia;
    miose;
  • boca seca;
  • retencao urinaria;
  • hipotensao;
  • depressao do SNC;
  • coma; morte.

7) Barbitúricos

a) Pentotal, comital, gardenal, nembutal, optalidon.

b) Administracao habitual – ingestao, injecao.

c) Efeitos :

  • calma, desinteresse;
  • relaxamento, sonolencia;
  • hipotensao;
  • midriase;
  • depressao do SNC;
  • coma; morte.

8) Solventes orgânicos/ inalantes

a) Sao hidrocarbonetos (lanca-perfume, cheirinho da lolo, cola, acetona,
gasolina, thiner, eter, benzina, esmalte.

b) Administracao habitual – inalacao.

c) Efeitos:

  • sonolencia, euforia;
  • disartria;
  • diplopia;
  • tentativa de suicidio;
  • parada cardiaca;  manifestacoes tardias ( lesoes em medula, figado, rins,
    nervos perifericos).

9) Benzodiazepínicos

a) Substancia ativa – benzodiazepam e derivados (diazepam, valium,
librium,lorax, lexotan, rohypnol).

b) Administracao habitual – ingestao, injecao.

c) Efeitos:

  • relaxamento, sedacao, hipnose;
  • incoordenacao motora;
  •  confusao mental;
  • bradicardia, dispneia.

10) Esteroides ou anabolizantes

a) Grupo de derivados sinteticos da testosterona.

b) Administracao: via oral e injetavel.

c) Efeitos:

  • aumento da agressividade;
  • oligospermia;
  • impotencia;
  • ginecomastia;
  • tumores hepaticos.

11) Poppers

Sao vasodilatadores (nitrato de amila ou de butila) empregados na terapeutica das
anginas.
a) Administração: inalação.

b) Efeitos:

  • vasodilatação;
  • relaxamento muscular e dos esfincteres (usado para
    relaxamento do esfincter anal dos homossexuais).

Boa-noite Cinderela

Pode se referir a um crime que consiste em drogar uma vítima para roubá-la ou estuprá-la, ou às drogas usadas para executar este crime. Drogas que costumam ser usadas no golpe:

  • GHB (ácido gama-hidroxibutírico)
  • Ketamina (Special K)
  • Escopolamina, também conhecida como burundanga.
  • Rohypnol (Flunitrazepam)
  • Clorofórmio

Wikipédia

Plantas Tóxicas

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