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Notícias sobre o site e o lançamento do livro

Ao pequeno número de pessoas que seguiram este site até este momento, agradeço muito. Este ano lançarei um livro que trata dos temas que tanto escrevi aqui, ou seja: filosofia, psicologia e criminologia. Não darei tantas informações, apenas digo que o contrato com a editora foi fechado e a obra está sendo diagramada, com previsão de lançamento para o final de 2018. Quando tudo estiver pronto, publicarei um pequeno artigo neste site para divulgar o livro. Fiquem atentos. A obra trata sobre os métodos do filósofo e cientista Charles S. Peirce em temas como semiótica e silogismos, em comparação ao raciocínio do personagem Sherlock Holmes, dentre outros temas. Abaixo, escrevi alguns trechos que encontram-se no segundo capítulo.

Peirce explica que a dedução prova o que algo deve ser, a indução mostra que alguma coisa é realmente operativa (essa coisa opera, funciona e desenvolve-se atualmente desse determinado modo), e a abdução apenas sugere que alguma coisa pode ser, sendo uma mera hipótese. Por vezes ele se referiu à hipótese ou abdução como retrodução, onde o sujeito raciocina retroativamente, ou seja, do efeito para a causa, e não da causa para o efeito. Por exemplo, “inúmeros documentos e monumentos referem-se à um conquistador chamado Napoleão Bonaparte”, Peirce escreveu. E “embora não tenhamos visto o homem, não podemos explicar o que temos visto, ou seja, todos esses documentos e monumentos são suposições de que ele realmente existiu” (cp 2.625). Documentos e monumentos sobre Napoleão são efeitos de uma causa, e concluímos simplesmente que Napoleão provavelmente existiu. De todas as explicações possíveis para um fenômeno, aquela que englobar todas as questões de modo menos complexo deve ser a primeira explicação para se dar importância (cp 6.532).

Este reducionismo (ou raciocínio econômico) é amplamente conhecido em filosofia e metodologia científica como “navalha de Ockham”, termo atribuído às concepções filosóficas do frade franciscano Guilherme de Ockham, do século XIV. A abdução dispõe de um vínculo com o reducionismo, pois se a explicação mais simples para um fenômeno provavelmente é a correta, excluímos as outras excessivas teorias explanatórias rivais após testes de validação, testamos na hierarquia da melhor para a pior explicação, descartamos hipóteses inválidas e adicionamos novas quando necessário. Esta subtração e adição de hipóteses em uma conjectura cria nesta conjectura a qualidade de ser não monotônica (conjectura que possui um conjunto de elementos que podem ser alterados, diminuídos ou aumentados por conta de uma nova informação que modifica o resultado), sendo comum na abdução novos indícios trazerem novas conclusões que contradizem as teorias anteriores, pois “a retrodução é a adoção provisória de uma hipótese” (cp 1.68).

Podemos considerar, assim como Peirce, que toda proposição, silogismo, inferência e raciocínio é formado por signos. Peirce escreveu que a dedução “é um argumento cujas premissas verdadeiras trarão conclusões verdadeiras” (cp 2.267), e a indução “é o método experimental de verificação de uma previsão geral” (cp 2.269). Para Aristóteles, um silogismo dedutivo ou indutivo é um argumento que, através de suposições, ou seja, de premissas, temos como consequência lógica uma conclusão, e não precisamos adicionar outro elemento para chegarmos nesta consequência. Esta era uma crítica de Peirce sobre a dedução e a indução, pois a conclusão por já se encontrar nas premissas não gera nenhum novo conhecimento.

Para Peirce, somente a abdução introduz novas ideias (cp 2.96), sendo o primeiro passo para uma descoberta científica (cp 5.171). Por vezes ele se referiu à abdução como um argumento originário. “Um argumento originário, ou abdução, é um argumento que apresenta fatos em suas premissas que apresentam uma semelhança ao fato de conclusão” (cp 2.96). Entretanto, Peirce admitia que a indução seria o método de raciocínio mais eficaz e o passo conclusivo para o pensamento científico, sendo através dela que validamos uma hipótese, pois “como regra geral, a hipótese é um tipo fraco de argumento” (cp 2.625). Uma abdução, então, carece de comprovação, e após o surgimento da hipótese na mente do observador, este deve testá-la, e somente assim saberá se sua teoria está correta. Em uma hipótese “achamos que em certos aspectos dois objetos têm uma forte semelhança, e inferimos que eles se assemelham fortemente em outros aspectos” (cp 2.624).

Appel

 

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